❦A Aprendizagem das Plantas Mestras
O mito sateré-mawé da criança de olhos plantados na terra, o bastão ralado na língua do pirarucu, a cafeína da semente dita com simplicidade, e o nosso guaraná em pó do Brasil.
❦A Trilha do Sonho
A artemísia (Artemisia vulgaris), o mugwort dos ingleses, é uma Asteraceae da Eurásia que o Encantamento das Nove Ervas anglo-saxão invoca em primeiro lugar, «Una, a mais antiga das ervas». Erva das mulheres, da viagem e do limiar, ela é tomada em chá à noite e colocada debaixo do travesseiro para sonhar.
❦A Trilha do Sonho
Treze plantas dos sonhos, da Calea dos chontal à espuma branca do ubulawu xhosa: a sua linhagem, o que a ciência mediu, o que contam os nossos sonhadores e o gesto de cada uma.
❦O Caminho dos Adaptógenos e Cogumelos
Ashwagandha, shatavari, rhodiola, maca, reishi, cordyceps, schisandra. Sete plantas arrumadas pela geografia: o nome nativo, a tradição que as bebe, a forma em que as propomos.
❦O Caminho dos Adaptógenos e Cogumelos
Astragalus membranaceus, huang qi, a raiz amarela das estepes da Mongólia e do norte da China. O nome explicado por Li Shizhen, as fatias cor de manteiga e a panela onde coze devagar.
❦A Trilha do Sonho
Os buriatos a chamam de sagaan dali, a asa branca, pelo verso prateado das folhas. A lenda da águia, o chá com leite e sal, a colheita do terço de cima e nossas folhas silvestres do Baikal.
❦O Caminho dos Adaptógenos e Cogumelos
Schisandra chinensis, wu wei zi, a liana vermelha das florestas do Amur e da Manchúria. Os cinco sabores de uma só baga, o omija coreano bebido frio, o rasto da zibelina dos caçadores nanai.
❦A Trilha do Sonho
A Calea zacatechichi (Calea ternifolia) é um arbusto amargo da família das Asteraceae, nativo do México e da América Central. Os chontal de Oaxaca fumam-na, bebem-na em infusão e põem-na debaixo da almofada para receber mensagens em sonho. Em 1986, um ensaio em dupla ocultação registou mais relatos de sonhos do que com placebo.
❦O Tesouro do Lótus Azul
O lótus azul (Nymphaea caerulea, hoje Nymphaea nouchali var. caerulea) é uma ninfeia da África Oriental, a flor sagrada do antigo Egito. Abre-se ao nascer do dia, carrega o deus Nefertum e enfeitava os colares de Tutancâmon. Em 2024, foi encontrado em um vaso ritual que os seus pesquisadores ligam ao sonho.
❦O Caminho dos Adaptógenos e Cogumelos
O yartsa gunbu das altas pastagens tibetanas, a sua colheita, o seu lugar na medicina chinesa, e o nosso extrato 6:1 de micélio de Cordyceps sinensis CS-4, fabricado na Estónia.
❦O Caminho das Plantas para Fumar
As ervas para fumar da Casa em quatro famílias (bases neutras, bases de sabor, complementos, resinas), as suas tradições com fontes, as nossas receitas com proporções e a verdade sobre o fumo.
❦A Aprendizagem das Plantas Mestras
Salvia apiana — a sálvia branca da Califórnia vive uma crise de sobrecolheita comercial. Os povos Chumash, Tongva e Cahuilla pedem que paremos. A INFUSE recusa-se a vendê-la e propõe Imphepho, artemísia e alecrim como alternativas rastreadas.
❦O Caminho das Plantas para Fumar
Verbascum thapsus estende um cobertor de veludo sobre o peito queimado. Os soldados romanos levavam-no como tocha e talismã. As bruxas queimavam-no no Samhain. Os Cherokee esfregavam-no debaixo das axilas. Eis a avó matriarcal dos pulmões.
❦A Trilha do Sonho
Ocoee dos Cherokee. Em 1610, Emmanuel de Villegas lê na sua flor a Paixão de Cristo — daí o nome Passiflora. Companheira europeia e ameríndia do sono e da ansiedade. A trindade brasileira com mulungu e camomila. Modulação GABA-A, crisina, vestígios de armina.
❦A Trilha do Sonho
A hipnagogia é o estado de consciência entre a vigília e o sono. Edison e Dalí usavam-no de propósito. Compreender este estado e como recorrer a ele…
❦A Trilha do Sonho
Partilhar um sonho cria intimidade e vulnerabilidade. Protocolos: consentimento, a regra «se fosse o meu sonho», receber sonhos de crianças, limites no conflito.
❦A Trilha do Sonho
Oito sabás, oito viragens fenológicas, oito famílias de plantas. Imbolc Artemísia, Ostara Dente-de-leão, Beltane Damiana Rosa Milefólio, Litha Camomila Erva-de-são-joão, Lammas Verbasco, Mabon Sálvia Alecrim, Samhain Milefólio Calêndula (nada de Mandrágora), Yule Pinheiro Abeto Visco. Cronobiologia vegetal, não folclore.
❦A Trilha do Sonho
Lótus vermelho (Nymphaea rubra) e nenúfar branco (Nymphaea lotus) — duas irmãs Nymphaea, uma vermelha e ardente, a outra branca como a lua cheia. Plantas dos limiares egípcio, maia e tântrico. Medicinas lentas para noites que se abrem em imagens. Sânscrito Rakta Kamala, egípcio Seshen, maia Naab.
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Heimia salicifolia. Planta dos xamãs mexicanos há pelo menos 500 anos, talvez 2000+. Não uma planta de visões — uma planta que reabre o antigo. Quem a usa conta reencontrar o cheiro de uma cozinha de infância, a textura de um cobertor, a luz de uma janela — detalhes depositados trinta anos antes. E uma assinatura auditiva marcante: as vozes ecoam como desde o fundo de um longo corredor de pedra.
❦A Trilha do Sonho
Não é um smudge. A sálvia branca limpa; o imphepho chama. Queimar imphepho é convocar os amadlozi pelo nome. O incenso preferido dos ancestrais — eles vêm ao cheiro. A primeira planta-medicina revelada aos curandeiros sangoma da África do Sul.
❦A Trilha do Sonho
Nymphaea lotus — a flor que se abre de noite e se fecha ao alvorecer. Irmã egípcia de Ísis, planta das passagens oníricas, medicina lunar e lenta. A distinguir do lótus indiano Nelumbo, apesar do nome comum.
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Papaver rhoeas. Irmã do trigo, filha de Deméter, flor de Flandres. Sem morfina, sem codeína, sem dependência em dois mil anos de uso. Separação lexical estrita de Papaver somniferum. Uma planta do limiar entre a vigília e o sono, dos corações feridos, do luto que precisa de respirar através da noite.
❦A Aprendizagem das Plantas Mestras
Cheira a alho — mas cresce na Amazônia e não tem nenhum vínculo genético com o alho comum. Os Shipibo-Conibo a chamam de Abridora: a primeira dieta na formação de um curandero, a planta que prepara o terreno para que todas as outras entrem de verdade.
❦A Aprendizagem das Plantas Mestras
Para os sangoma zulu de KwaZulu-Natal, ela é a que responde em branco. A ubulawu mais rara e mais poderosa da África austral. Synaptolepis kirkii. Kirkininas neurotróficas. A pergunta formulada em voz alta, a planta leva a mensagem, a resposta chega em branco.