

Lavanda
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O banho de descarrego e o de abrir caminhos da umbanda, o abô do candomblé, a arruda das benzedeiras, o banho de cheiro das erveiras do Ver-o-Peso: os banhos do Brasil contados como a tradição os conta, cada um com sua fonte, e as flores da casa que entram neles.
No Brasil, quase todo mundo já tomou um banho de ervas, ou conhece alguém que prepara.
Símbolo da realeza do coração, a Rosa é uma flor magnífica de encontrar, e de usar em sinergia. No banho, algumas flores na água, para uma experiência divina. Botões de Rosa damascena cultivados de forma orgânica no Marrocos, pétalas silvestres colhidas na Índia.
O banho de descarrego e o de abrir caminhos da umbanda, o abô do candomblé, a arruda das benzedeiras, o banho de cheiro das erveiras do Ver-o-Peso: os banhos do Brasil contados como a tradição os conta, cada um com sua fonte, e as flores da casa que entram neles.

Um punhado de ervas em um litro de água quente, abafado, por dez minutos. Coa-se: é essa água perfumada que vai para a banheira ou para a bacia.

O banho se toma morno. No Brasil, é comum jogar o banho de ervas com a bacia depois do banho de higiene, do pescoço para baixo.

A camomila, a rosa e o lótus também podem boiar inteiros na água: um punhado de camomila para lavar a raiva do dia, uma rosa para uma experiência divina, um lótus para uma experiência sensual.

Muitas casas deixam a água do banho secar no corpo, sem toalha. O perfume fica até a hora de dormir.
Banho de ervas é água em que se deixou em infusão folhas, flores ou cascas, e que se joga no corpo ou se põe na banheira. A tradição dá a ele um momento e uma intenção: a véspera de uma festa, a virada do ano, uma prece, um peso a largar. Ele vem da umbanda, do candomblé, dos saberes indígenas e das benzedeiras, e hoje passa de mão em mão bem além dos terreiros.
Na umbanda, o banho de ervas faz parte da vida do terreiro. O mais conhecido é o banho de descarrego, que se joga do pescoço para baixo: muitos terreiros guardam a cabeça, o ori, para cuidados à parte. Depois vêm os banhos de intenção. O banho para abrir caminhos, que a tradição toma antes de uma viagem, de um emprego novo, de um ano que começa. O banho de prosperidade e o banho para atrair dinheiro, que as receitas que circulam fazem com louro, canela e cravo. O banho para atrair amor, quase sempre feito de rosas, às vezes com mel ou açúcar. O banho de proteção, de arruda, guiné e alecrim.
A tradição diz que esses banhos abrem os caminhos, protegem e chamam o amor. Cada casa tem sua receita, seu dia e seu jeito de dizer; as receitas que circulam na internet são um eco disso. Para um banho de terreiro, quem orienta é o pai ou a mãe de santo da casa.
No candomblé, a folha carrega o axé, a força vital. Um provérbio iorubá repetido nas casas de santo diz tudo: Kò sí ewé, kò sí òrìṣà, « sem folha não há orixá ». As folhas pertencem a Ossaim, o orixá das folhas sagradas, e o banho de folhas tem nome: o abô, uma infusão de folhas consagradas. Pierre Fatumbi Verger dedicou um livro inteiro a essa ciência das folhas: Ewé: o uso das plantas na sociedade iorubá (1995).
A benzedeira reza com um raminho de arruda, de guiné ou de alecrim na mão, e muitas vezes receita, além do chá, um banho. Em Juruena, no Mato Grosso, as benzedeiras ouvidas por Maciel e Guarim Neto (2006) « benzem, preparam e receitam chás, garrafadas, banhos especiais e unguentos ».
No Pará, as erveiras do Ver-o-Peso ralam folhas, raízes e cascas perfumadas: patchouli, priprioca, cumaru, alecrim, lavanda, jasmim, manjericão, baunilha. É o banho de cheiro, que se toma nas festas juninas, no Círio de Nazaré e na véspera do Ano-Novo, muitas vezes depois de um primeiro banho de descarrego. A receita passa pela fala, de mãe para filha.
A noite de São João e suas ervas, de Belém à Europa: ervas de São João.
Os mais procurados, com o que a tradição diz de cada um e a fonte:
| Banho | Onde e quando | O que a tradição diz | Na INFUSE |
|---|---|---|---|
| Banho de descarrego | umbanda | descarrega o que pesa; jogado do pescoço para baixo | arruda e guiné: não vendemos |
| Banho para abrir caminhos | umbanda | abre os caminhos antes de uma viagem, de um emprego, de um ano novo | a receita é de cada casa |
| Banho de prosperidade | umbanda e receitas populares | louro, canela e cravo nas receitas que circulam | não vendemos essas ervas |
| Banho para atrair amor | receitas populares | rosas, às vezes com mel ou açúcar | rosas |
| Banho de proteção | umbanda e benzedeiras | arruda, guiné, alecrim | não vendemos essas ervas |
| Banho de alfazema | todo o Brasil | banho de calma e de paz | alfazema, lavanda-vera |
| Banho de camomila | todo o Brasil | banho de serenidade, de raiva lavada | camomila-romana |
| Abô | candomblé | infusão de folhas consagradas, sob a guarda de Ossaim (Verger, 1995) | não vendemos |
| Banho de cheiro | Belém, Pará: São João, Círio, Ano-Novo | folhas e raízes perfumadas raladas pelas erveiras | lavanda, presente na receita |
Duas a três colheres de sopa de ervas secas, ou um punhado de flores, para um litro de água. Joga-se a água quente por cima, abafa-se, deixa-se em infusão dez minutos e coa-se. A infusão vai para uma banheira de água morna, ou para uma bacia que se joga no corpo depois do banho de higiene, do pescoço para baixo. Da Agua de Florida, algumas gotas bastam.
A tradição gosta de momentos: muitos banhos se tomam à noite, alguns numa lua certa ou na véspera de uma festa. Terminado o banho, as ervas voltam para a terra, ao pé de uma árvore ou no jardim.
O banho de lua cheia e os outros ritos da lua, tradição por tradição: ritual de lua cheia e de lua nova.
Água morna, nunca pelando. Um primeiro teste num cantinho da pele, sobretudo em pele sensível ou em caso de alergia às Asteráceas (camomila, artemísia). Na gravidez, evitam-se a artemísia e a arruda. A arruda deixa a pele sensível ao sol: depois de um banho de arruda, a pele exposta pode queimar. Canela, cravo, pimenta e óleos essenciais irritam a pele; óleo essencial nunca vai puro para o banho. A comigo-ninguém-pode dos vasos de proteção é tóxica e nunca vai para a água. A Agua de Florida leva álcool: só algumas gotas, longe dos olhos e do fogo. Para bebês e crianças pequenas, primeiro o pediatra.
As mais citadas no Brasil: arruda, guiné, alecrim, manjericão, alfazema, rosas, camomila, louro, canela. Na INFUSE, as rosas, a lavanda (alfazema), a camomila-romana, os lótus e a artemísia.
A lista muda de casa para casa. A mais conhecida é a do vaso de sete ervas, plantado perto da porta: arruda, guiné, alecrim, manjericão, espada-de-são-jorge, comigo-ninguém-pode e pimenteira. Atenção: a comigo-ninguém-pode é tóxica e nunca vai para o banho.
Duas a três colheres de sopa de ervas secas para um litro de água quente, abafado por dez minutos, depois coado. A infusão vai para uma banheira morna, ou para uma bacia que se joga do pescoço para baixo depois do banho de higiene.
Na umbanda, a tradição diz que ele abre os caminhos: toma-se antes de uma viagem, de um emprego novo, de um ano que começa. Cada terreiro tem sua receita. É uma prática de fé, contada aqui como a tradição a conta.
As receitas que circulam citam o louro, a canela e o cravo, às vezes com mel. A canela e o cravo irritam a pele: usa-se pouco, em infusão coada, e nunca perto dos olhos.
Um punhado de pétalas ou alguns botões em água quente, dez minutos abafado, e a infusão na água morna do banho; algumas receitas juntam uma colher de mel. Nossos botões são de Rosa damascena, de um rosa-claro: o banho de rosa vermelha pede outra rosa.
A arruda, o guiné e o alecrim, as ervas das benzedeiras. A arruda deixa a pele sensível ao sol e se evita na gravidez.
Muitos terreiros guardam a cabeça, o ori, para cuidados à parte: o banho de descarrego desce do pescoço para baixo. Os banhos de ervas suaves, como o de alfazema ou de camomila, às vezes se tomam da cabeça aos pés; quem orienta é a casa.
Pergunta à Floresta: ética de uma planta, dose, linhagem, sinergia. Ela partilha o que os povos transmitiram e o que os livros escreveram.