Ir para o conteúdo
INFUSE
OS BANHOS DE ERVAS

Banho de ervas: descarrego, abrir caminhos e banho de cheiro.

O banho de descarrego e o de abrir caminhos da umbanda, o abô do candomblé, a arruda das benzedeiras, o banho de cheiro das erveiras do Ver-o-Peso: os banhos do Brasil contados como a tradição os conta, cada um com sua fonte, e as flores da casa que entram neles.

Ritual

No Brasil, quase todo mundo já tomou um banho de ervas, ou conhece alguém que prepara.

Começar o caminho
A seleção · através dos mundos

8 companheiras para esta intenção

COMBO EMBLEMÁTICO

O tesouro deste caminho.

Símbolo da realeza do coração, a Rosa é uma flor magnífica de encontrar, e de usar em sinergia. No banho, algumas flores na água, para uma experiência divina. Botões de Rosa damascena cultivados de forma orgânica no Marrocos, pétalas silvestres colhidas na Índia.

O caminho · 4 limiares

Um método.

O banho de descarrego e o de abrir caminhos da umbanda, o abô do candomblé, a arruda das benzedeiras, o banho de cheiro das erveiras do Ver-o-Peso: os banhos do Brasil contados como a tradição os conta, cada um com sua fonte, e as flores da casa que entram neles.

Lavanda
01
Ritual

Primeiro, a infusão

Um punhado de ervas em um litro de água quente, abafado, por dez minutos. Coa-se: é essa água perfumada que vai para a banheira ou para a bacia.

Camomila Nobre
02
Ritual

Água morna

O banho se toma morno. No Brasil, é comum jogar o banho de ervas com a bacia depois do banho de higiene, do pescoço para baixo.

Lótus Azul
03
Ritual

As flores inteiras

A camomila, a rosa e o lótus também podem boiar inteiros na água: um punhado de camomila para lavar a raiva do dia, uma rosa para uma experiência divina, um lótus para uma experiência sensual.

Lótus Branco
04
Ritual

Deixar secar

Muitas casas deixam a água do banho secar no corpo, sem toalha. O perfume fica até a hora de dormir.

O que é um banho de ervas

Banho de ervas é água em que se deixou em infusão folhas, flores ou cascas, e que se joga no corpo ou se põe na banheira. A tradição dá a ele um momento e uma intenção: a véspera de uma festa, a virada do ano, uma prece, um peso a largar. Ele vem da umbanda, do candomblé, dos saberes indígenas e das benzedeiras, e hoje passa de mão em mão bem além dos terreiros.

Na umbanda: descarrego, abrir caminhos, prosperidade

Na umbanda, o banho de ervas faz parte da vida do terreiro. O mais conhecido é o banho de descarrego, que se joga do pescoço para baixo: muitos terreiros guardam a cabeça, o ori, para cuidados à parte. Depois vêm os banhos de intenção. O banho para abrir caminhos, que a tradição toma antes de uma viagem, de um emprego novo, de um ano que começa. O banho de prosperidade e o banho para atrair dinheiro, que as receitas que circulam fazem com louro, canela e cravo. O banho para atrair amor, quase sempre feito de rosas, às vezes com mel ou açúcar. O banho de proteção, de arruda, guiné e alecrim.

A tradição diz que esses banhos abrem os caminhos, protegem e chamam o amor. Cada casa tem sua receita, seu dia e seu jeito de dizer; as receitas que circulam na internet são um eco disso. Para um banho de terreiro, quem orienta é o pai ou a mãe de santo da casa.

No candomblé: a folha e o axé

No candomblé, a folha carrega o axé, a força vital. Um provérbio iorubá repetido nas casas de santo diz tudo: Kò sí ewé, kò sí òrìṣà, « sem folha não há orixá ». As folhas pertencem a Ossaim, o orixá das folhas sagradas, e o banho de folhas tem nome: o abô, uma infusão de folhas consagradas. Pierre Fatumbi Verger dedicou um livro inteiro a essa ciência das folhas: Ewé: o uso das plantas na sociedade iorubá (1995).

As benzedeiras

A benzedeira reza com um raminho de arruda, de guiné ou de alecrim na mão, e muitas vezes receita, além do chá, um banho. Em Juruena, no Mato Grosso, as benzedeiras ouvidas por Maciel e Guarim Neto (2006) « benzem, preparam e receitam chás, garrafadas, banhos especiais e unguentos ».

O banho de cheiro de Belém

No Pará, as erveiras do Ver-o-Peso ralam folhas, raízes e cascas perfumadas: patchouli, priprioca, cumaru, alecrim, lavanda, jasmim, manjericão, baunilha. É o banho de cheiro, que se toma nas festas juninas, no Círio de Nazaré e na véspera do Ano-Novo, muitas vezes depois de um primeiro banho de descarrego. A receita passa pela fala, de mãe para filha.

A noite de São João e suas ervas, de Belém à Europa: ervas de São João.

Os banhos, um por um

Os mais procurados, com o que a tradição diz de cada um e a fonte:

BanhoOnde e quandoO que a tradição dizNa INFUSE
Banho de descarregoumbandadescarrega o que pesa; jogado do pescoço para baixoarruda e guiné: não vendemos
Banho para abrir caminhosumbandaabre os caminhos antes de uma viagem, de um emprego, de um ano novoa receita é de cada casa
Banho de prosperidadeumbanda e receitas populareslouro, canela e cravo nas receitas que circulamnão vendemos essas ervas
Banho para atrair amorreceitas popularesrosas, às vezes com mel ou açúcarrosas
Banho de proteçãoumbanda e benzedeirasarruda, guiné, alecrimnão vendemos essas ervas
Banho de alfazematodo o Brasilbanho de calma e de pazalfazema, lavanda-vera
Banho de camomilatodo o Brasilbanho de serenidade, de raiva lavadacamomila-romana
Abôcandombléinfusão de folhas consagradas, sob a guarda de Ossaim (Verger, 1995)não vendemos
Banho de cheiroBelém, Pará: São João, Círio, Ano-Novofolhas e raízes perfumadas raladas pelas erveiraslavanda, presente na receita

As flores da casa, no banho

  • Rosas: símbolo da realeza do coração. No banho, algumas flores na água, para uma experiência divina. Nossos botões são de Rosa damascena, de um rosa-claro; o banho de rosa vermelha e o de rosa branca pedem outras rosas.
  • Camomila-romana: uma infusão forte ou um punhado de flores direto na água do banho; um ritual de lustração, para lavar a raiva ou a frustração acumuladas. O banho de camomila mais comum no Brasil usa a camomila-alemã; a nossa é a romana, sua prima.
  • Lavanda: a planta do repouso sagrado, usada desde sempre também em banhos e sachês. No Brasil, também se chama alfazema, e o banho de alfazema é tido como banho de calma e de paz.
  • Lótus azul: a flor posta no banho, para uma experiência sensual. Suas irmãs, o lótus branco e o lótus rosa, para uma experiência divina.
  • Tulsi: o manjericão-sagrado da Índia, do mesmo gênero que o manjericão de tantos banhos brasileiros.
  • Artemísia: erva de São João na Europa; no Japão, perfuma o yomogi-yu, o banho de artemísia.
  • Agua de Florida: a água floral de Murray & Lanman, nascida em Nova York em 1808. Os curandeiros dos Andes a sopram no soplo; algumas gotas bastam na água da bacia.

Como fazer um banho de ervas

Duas a três colheres de sopa de ervas secas, ou um punhado de flores, para um litro de água. Joga-se a água quente por cima, abafa-se, deixa-se em infusão dez minutos e coa-se. A infusão vai para uma banheira de água morna, ou para uma bacia que se joga no corpo depois do banho de higiene, do pescoço para baixo. Da Agua de Florida, algumas gotas bastam.

A tradição gosta de momentos: muitos banhos se tomam à noite, alguns numa lua certa ou na véspera de uma festa. Terminado o banho, as ervas voltam para a terra, ao pé de uma árvore ou no jardim.

O banho de lua cheia e os outros ritos da lua, tradição por tradição: ritual de lua cheia e de lua nova.

Precauções

Água morna, nunca pelando. Um primeiro teste num cantinho da pele, sobretudo em pele sensível ou em caso de alergia às Asteráceas (camomila, artemísia). Na gravidez, evitam-se a artemísia e a arruda. A arruda deixa a pele sensível ao sol: depois de um banho de arruda, a pele exposta pode queimar. Canela, cravo, pimenta e óleos essenciais irritam a pele; óleo essencial nunca vai puro para o banho. A comigo-ninguém-pode dos vasos de proteção é tóxica e nunca vai para a água. A Agua de Florida leva álcool: só algumas gotas, longe dos olhos e do fogo. Para bebês e crianças pequenas, primeiro o pediatra.

Fontes

  • Banho de ervas: Wikipédia. Banho de cheiro: Wikipédia. Ossaim e o abô: Wikipédia.
  • P. F. Verger, Ewé: o uso das plantas na sociedade iorubá, Companhia das Letras, 1995.
  • M. R. A. Maciel e G. Guarim Neto, « Um olhar sobre as benzedeiras de Juruena (Mato Grosso, Brasil) e as plantas usadas para benzer e curar », Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, 2006 (Redalyc).
  • Banho do pescoço para baixo: Estado de Minas. Vaso de sete ervas: Catraca Livre.
  • Agua de Florida: Wikipédia (en).
⊹ PERGUNTAS FREQUENTES ⊹

Banho de ervas, em perguntas

Quais são as ervas para banhos?

As mais citadas no Brasil: arruda, guiné, alecrim, manjericão, alfazema, rosas, camomila, louro, canela. Na INFUSE, as rosas, a lavanda (alfazema), a camomila-romana, os lótus e a artemísia.

Quais são as 7 ervas de banho?

A lista muda de casa para casa. A mais conhecida é a do vaso de sete ervas, plantado perto da porta: arruda, guiné, alecrim, manjericão, espada-de-são-jorge, comigo-ninguém-pode e pimenteira. Atenção: a comigo-ninguém-pode é tóxica e nunca vai para o banho.

Como fazer banho de ervas?

Duas a três colheres de sopa de ervas secas para um litro de água quente, abafado por dez minutos, depois coado. A infusão vai para uma banheira morna, ou para uma bacia que se joga do pescoço para baixo depois do banho de higiene.

Banho para abrir caminhos: o que diz a tradição?

Na umbanda, a tradição diz que ele abre os caminhos: toma-se antes de uma viagem, de um emprego novo, de um ano que começa. Cada terreiro tem sua receita. É uma prática de fé, contada aqui como a tradição a conta.

Quais ervas a tradição usa no banho de prosperidade?

As receitas que circulam citam o louro, a canela e o cravo, às vezes com mel. A canela e o cravo irritam a pele: usa-se pouco, em infusão coada, e nunca perto dos olhos.

Como fazer um banho de rosas para o amor?

Um punhado de pétalas ou alguns botões em água quente, dez minutos abafado, e a infusão na água morna do banho; algumas receitas juntam uma colher de mel. Nossos botões são de Rosa damascena, de um rosa-claro: o banho de rosa vermelha pede outra rosa.

Quais são as ervas de proteção?

A arruda, o guiné e o alecrim, as ervas das benzedeiras. A arruda deixa a pele sensível ao sol e se evita na gravidez.

Por que o banho de descarrego é do pescoço para baixo?

Muitos terreiros guardam a cabeça, o ori, para cuidados à parte: o banho de descarrego desce do pescoço para baixo. Os banhos de ervas suaves, como o de alfazema ou de camomila, às vezes se tomam da cabeça aos pés; quem orienta é a casa.

· A FLORESTA ·

Uma pergunta precisa sobre esta intenção?

Pergunta à Floresta: ética de uma planta, dose, linhagem, sinergia. Ela partilha o que os povos transmitiram e o que os livros escreveram.