Lê Wild Dagga conforme o teu mundo
Toda a página se lê conforme este mundo.
✦ Wild Dagga · num sopro ✦
Felina e no entanto suave como uma leoa em repouso — a abertura sensual, a companheira do sangoma.

⊹ O caminho da planta
⊹ Testemunhos da comunidade
O que a comunidade murmura.
Média · 182 testemunhos
Distribuição
I bought wild dagga for the first time. Currently smoking my second one. The orange colour is ridiculous! Very surprised it did anything at all! At first there was a kind of lightheadedness not too different from tobacco but more dreamy and long lasting and a mild but noticable euphoria. It is a mood lifter for sure. Beautiful product. Already recommended it to some friends. And the vendor threw in a gift! Thank you so much
Michael
Ritual · 13 de novembro de 2025
Such a light beautiful tea, very easy on the palate too. Before I drank it; I was slightly tense, one of those mornings, after drinking, I felt very light (in the best way) and I was able to relax for several hours, all tension gone. I now mix the dagga petals with my morning hibiscus and, wow, 2 very feminine teas who are great for the soul, together or apart. Thank you again dream herbs
Dorit Phipps
Ritual · 24 de janeiro de 2023
Very smooth and potent as an herbal joint. The herbs arrived very fresh. Thank you.
Jareth
Ritual · 28 de novembro de 2025
Pergunta à Floresta sobre Wild Dagga
408 livros digeridos, 97 512 passagens indexadas. Ela responde-te sobre linhagens, sinergias, precauções, variações rituais.
O espaço comunitário de Wild Dagga.
Vozes, círculos, praticantes, ofertas — reunidos em torno desta planta.
Entrar no Templo →⊹ PERGUNTAS FREQUENTES ⊹
Respondemos-te.
A Wild Dagga é canábis?
Não. A Wild Dagga (Leonotis leonurus) pertence à família das mentas (Lamiaceae), a canábis à das Cannabaceae — nenhum parentesco botânico. Não contém THC, nem CBD, nem qualquer canabinoide. Simplesmente carrega o nome dagga que a canábis lhe tomou de empréstimo na África do Sul.
Quais são os efeitos da Wild Dagga?
A tradição empresta-lhe sensações apaziguadoras, suaves e ligeiramente eufóricas, com uma nota sensual. O efeito sentido é calmo e ligeiro — uma abertura da respiração mais do que um estado alterado. Pode evocar superficialmente um cânhamo muito suave, mas o mecanismo é inteiramente diferente.
Como preparo a Wild Dagga em chá?
Deita 1 a 2 colheres de chá de pétalas secas em 250 ml de água a fumegar, nunca a ferver (cerca de 80°C). Deixa infundir 7 a 10 minutos, coa, bebe morno. O sabor é terroso com uma nota de menta, e as pétalas podem servir para uma segunda infusão.
A Wild Dagga pode fumar-se?
Sim, é o uso tradicional dos povos da África Austral e entra bem numa mistura para fumar, finamente triturada. Todo o fumo continua a ser irritante para as vias respiratórias — a infusão é a via suave a privilegiar para um uso regular.
A Wild Dagga é legal em Portugal?
Sim. Ao contrário da canábis, a Wild Dagga é vendida livremente como flor seca e espécime botânico. Não contém qualquer substância controlada.
Porque se chama dagga?
Dagga é a transcrição africânder da palavra khoikhoi dachab, que designava primeiro a Leonotis leonurus — a planta que os primeiros povos fumavam antes da chegada da canábis. O nome deslizou depois para a canábis. Hoje dizemos wild dagga para devolver à planta original o seu nome.
Quais são as contraindicações da Wild Dagga?
A evitar durante a gravidez e a amamentação, e em caso de alergia às Lamiaceae. Cautela se tomas medicamentos hipotensores ou sedativos, em caso de hipotensão ou diabetes instável, e antes de uma cirurgia. Faz a tua própria pesquisa (DYOR).
A Wild Dagga ajuda a dormir e a sonhar?
A tradição usa-a como companheira do serão para suavizar a entrada na noite, e é reputada por colorir os sonhos sem arrancar ao real. Um chá ligeiro 30 minutos antes de deitar, ao longo de algumas noites, é a via suave para a explorar.
⊹ Capítulo · Perguntas ⊹
Pergunta, responde, partilha.
Uma pergunta, uma resposta — por vezes várias vozes. A comunidade responde primeiro; a INFUSE completa quando é preciso.
Em profundidadebotânica · fitoquímica · história
### Uma menta, não um cânhamo
A Leonotis leonurus é um arbusto que pode ultrapassar os dois a três metros, com folhas opostas e pilosas e flores tubulares bilabiadas cor de laranja-coral erguidas em coroas escalonadas (Dale Pendell, Pharmako/Poeia, p. 220-221). Pertence à família das Lamiaceae — as mentas, como a salva, a alfazema e o marroio. A canábis é uma Cannabaceae, prima do lúpulo. As duas plantas não têm nenhum parentesco botânico: só o nome as confundiu durante algum tempo.
A flor é fruto de uma coevolução com as nectarínias africanas, nectarívoras de longo bico curvo que encaixa exatamente no tubo floral. A planta esculpiu o seu cálice em torno do bico do pássaro, e o pássaro o seu bico em torno do cálice. A planta cresce facilmente a partir de sementes e é hoje cultivada sobretudo como ornamental para além da sua área de origem (Pendell, p. 221). Uma espécie irmã, Leonotis nepetifolia («Klip Dagga»), naturalizou-se nos trópicos do mundo inteiro; nas Antilhas chamam-lhe castiçal de Natal pelas suas coroas de flores que parecem velas acesas.
### O nome roubado
A história da palavra dagga é uma das mais belas joias linguísticas do mundo vegetal. Nas línguas khoe de cliques, dachab designava uma planta precisa: a Leonotis leonurus, o arbusto que os pastores fumavam ao serão. Os colonos holandeses transcrevem a palavra como dagga sem mudar a planta. Depois chega a canábis; também ela é fumada, mais forte, mais depressa — e a palavra desliza para o recém-chegado. No século XX, dagga significa canábis no uso africânder e zulu, e a Leonotis leonurus tem de ser chamada wild dagga para se distinguir do ladrão do seu nome.
O linguista K. David Harrison (When Languages Die, 2007) cita esta despossessão como um estudo de caso: uma língua indígena nomeia uma planta, uma língua colonial toma o nome de empréstimo e desloca-o, e três séculos mais tarde a planta original carrega um nome estrangeiro para se reconhecer. É também por isto que a INFUSE recusa os atalhos «equivalente do CBD», «substituto da erva», «como a canábis mas legal»: estas fórmulas fecham a planta na prima que lhe tomou o nome.
### Fitoquímica — porque isto não é canábis
A farmacologia é a prova mais clara. Nenhum canabinoide foi isolado na planta, nenhuma ligação documentada aos recetores CB1 ou CB2. Os principais compostos ativos pertencem a uma classe inteiramente diferente: os diterpenos labdanos.
- Marrubina — diterpeno labdano partilhado com o marroio-branco europeu; perfil descrito como broncodilatador, expetorante e ligeiramente hipotensor, o que ilumina o uso respiratório tradicional.
- Leoleorinas A a J — série de pelo menos dez diterpenos labdanos isolados nas últimas décadas. A leoleorina C mostra uma afinidade moderada pelo recetor Sigma-1 (Ki ≈ 2,9 µM), recetor do sistema nervoso central — e não um recetor canabinoide.
- Leonurina — alcaloide aparentado ao da agripalma (Leonurus cardiaca), com ligeiro tropismo cardíaco e uterotónico (daí a contraindicação na gravidez).
- Taninos, saponinas, ácidos fenólicos, flavonoides — cortejo acompanhante.
Se o efeito sentido evoca por vezes superficialmente um cânhamo muito suave, trata-se de uma convergência fenomenológica sem convergência farmacológica: duas plantas quimicamente diferentes podem produzir sensações comparáveis por vias moleculares distintas. A subjetividade do efeito nada diz do mecanismo. Como escreve Dale Pendell, apesar do nome «wild dagga», a Leonotis leonurus não é canábis nem aparentada (Pharmako/Poeia, p. 220).
### O que relatam os estudos
A investigação moderna permanece preliminar e largamente pré-clínica. Os estudos relatam atividades antinociceptivas, anti-inflamatórias, hipotensoras, anticonvulsivantes, antioxidantes, bem como um efeito hipoglicemiante no rato e uma inibição moderada da acetilcolinesterase. A pista contemporânea mais discutida diz respeito ao perfil broncodilatador da marrubina e ao tropismo Sigma-1 das leoleorinas — duas direções muito afastadas do paradigma canabinoide. Nada disto constitui prova de eficácia no ser humano: são pistas, não efeitos garantidos. Dale Pendell, que tentou testar os efeitos do fumo, relata resultados «mistos e na maioria das vezes pouco espetaculares», uma pessoa achando no entanto o fumo «muito relaxante e clarificador» (Pharmako/Poeia, p. 221).
### Linhagem viva — Khoisan, Zulu, Xhosa, Sotho
A Leonotis leonurus cresce por toda a África Austral, da província do Cabo ao KwaZulu-Natal. Os Khoikhoi pastores e os San caçadores-recoletores, cuja presença nestas terras remonta a dezenas de milhares de anos, fumavam o dachab sozinho ou em misturas — companheira do serão mais do que droga recreativa. Os povos bantos da África Austral integraram-na depois na sua medicina popular: decocções de folhas e flores para tosse, constipação e bronquite, aplicações tópicas sobre mordeduras e picadas, incenso cerimonial dos sangomas (Watt & Breyer-Brandwijk, The Medicinal and Poisonous Plants of Southern Africa, 1962; J.F. Sobiecki, A review of plants used in divination in southern Africa, 2008). Nas misturas tradicionais, encontra-se ao lado do buchu, do alecrim-selvagem e da kanna (Sceletium tortuosum), a outra grande planta khoisan.
### Segurança
A evitar durante a gravidez e a amamentação (tropismo uterotónico da leonurina, dados de segurança insuficientes). Cautela em caso de hipotensão, diabetes instável, e com medicamentos hipotensores, hipoglicemiantes ou sedativos, cujo efeito pode potenciar. Possível alergia às Lamiaceae. Todo o fumo, seja qual for a planta, irrita as vias respiratórias: para um uso regular, a infusão é a via suave. A Leonotis leonurus não é uma espécie ameaçada (lista vermelha da SANBI: pouco preocupante), mas o respeito pelas comunidades e territórios de origem continua a ser uma vigilância. Esta página é informativa e não substitui o aconselhamento de um profissional de saúde. Faz a tua própria pesquisa (DYOR).
« Cada planta é uma porta. Wild Dagga abre para um longo companheirismo — escuta-a mais do que a medes. »
Estas plantas não são medicamentos. Esta página não oferece qualquer aconselhamento médico. Se estás grávida, a amamentar, sob tratamento, ou atravessas uma condição particular, fala com um médico antes de qualquer uso.
